Educação

José Roberto Martins Aguiar

Projetos escolares despertam interesse em alunos de Emef em Vale dos reis

Por Nayara Miranda, postado em 22/08/2019
Fotos Claudio Postay

Tornar a sala de aula um ambiente atrativo para os adolescentes é um desafio diário para os professores. É pensando nessa realidade que os docentes do Programa Ensina Brasil trabalham o conteúdo didático com práticas que fogem do convencional, e que tornam a ida para escola algo esperado pelos alunos.

Em uma visita a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Antero José do Nascimento, em Vale dos Reis, foi possível entender como as aulas são mais divertidas. Em cada cantinho, uma novidade, a começar pela turma do 6º ano da professora de Ciências, Manuela Hernandez. “Na sala de aula começamos a estudar os tipos de indústrias, os materiais sintéticos e naturais usados por essas empresas, e foi nesse estudo que chegamos ao plástico, e consequentemente na poluição. A ideia é pensar em soluções para minimizar esses problemas, foi aí que chegamos no bioplástico”, conta.

A turma começou, com a orientação da professora, a produzir o bioplástico com produtos naturais, como: vinagre, glicerina, corante, amido da batata e água. “A ideia é que eles produzam e então que possamos acompanhar a degradação desse material, e comparar com o plástico comum. O bioplástico é uma opção que não existia para eles e eu percebo que essa oficina já faz efeito no comportamento. A sala de aula está mais limpa e o cuidado deles com o meio é maior”, enfatiza a professora.

Com apenas 11 anos, a aluna Allyce Pimentel Martins contou o que já mudou desde o início dessas aulas. “Por ser um material natural, a gente ajuda mais a natureza quando escolhe ele. E é muito legal porque a gente não age mais errado com o meio ambiente, e descobrimos que com um pequeno erro que cometemos, podemos destruir, por isso temos que cuidar”, fala.

Enquanto Allyce e os colegas produziam o próprio bioplástico, o 7º ano aprendia mais sobre o sistema solar, também de forma prática e interativa. “Aqui os alunos estão confeccionando o próprio sistema solar de bolso. Com isso conseguimos trabalhar com eles a escala de proporção. É um meio de aprendizagem que atrai e faz com que aprendam de forma criativa”, destaca o professor de geografia, Anderson Souza.

“Em aulas como essa, a gente se diverte mais e acaba aprendendo mais do que em uma aula tradicional. Até quem não quer, presta atenção. Oficinas assim fazem com que a gente tenha vontade de vir para a escola. Eu mesmo nunca tinha feito esse tipo de dever e estou amando”, explica a aluna do 7º ano, Kelita Dutra Samora de Souza, de 13 anos.

E acha que acabou? Fora da sala de aula, os alunos ainda encontram diversão e aprendizado. É que a escola disponibilizou uma Geladeira Literária, que fica no pátio da Emef. Dentro do eletrodoméstico que não era mais utilizado, livros doados de diversos temas, que atendem estudantes do 1º ao 9º ano. “Esse é mais um projeto integrado que leva mais do que a leitura, mas forma o senso de responsabilidade. Eles entendem que a Geladeira Literária é para eles, e são eles que tem que cuidar desse processo de pegar e entregar os livros. Eles se apropriaram e realmente monitoram”, conta a professora de português, Raissa Rizetto.

O grupinho, Gustavo dos Santos, Maya Victória e Amanda Almeida, todos do 6º anos, estavam aproveitando o horário do intervalo para escolher o que iriam ler durante a semana. “Na hora do recreio a gente já aproveita para escolher o livro. É bom porquê qualquer colega pode vir aqui e pegar emprestado. Depois da geladeira que comecei a gostar mais de ler”, afirma Gustavo.

Além desses projetos, alunos do 9º ano ainda participam, no contraturno, de aulas que incentivam e ajudam na preparação para a prova do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

Ensina Brasil

O Programa Ensina Brasil passou a integrar a rede de ensino de Cariacica no início deste ano, com 30 profissionais. Trata-se de jovens professores, chamados de "ensinas", que atuam em escolas localizadas em área de vulnerabilidade social e baixo rendimento escolar. O projeto pretende formar lideranças para a educação tendo como base a vivência em sala de aula, e como objetivo a diminuição da evasão escolar.

Os docentes irão atuar em Cariacica por dois anos. São todos recém-graduados em cursos distintos e vindos de universidades federais e privadas. As Emefs que participam do projeto são: Emefs Antero José (em Vale dos Reis), Arthur Costa e Silva (Aparecida), Eurides Gabriel (Campo Belo), Luzbel Pretti (Operário), Maria Augusta Tavares (Jardim Botânico), Maria Guilhermina (Campo Verde), Martin Lutero (Flexal 2), Padre Anthonius Lute (Nova Esperança), Padre Gabriel - CAIC (Porto Novo) e Valdice Alves (Areinha).

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