Coordenação de Diversidade Sexual realiza a conferência

Nascida em uma família de cinco filhos, a coordenadora de Diversidade Sexual, Cristina Moreira, lembra bem o dia em que revelou sua orientação sexual para a mãe, dona Lia, 80 anos. O elo que já era grande entre mãe e filha passou a ser ainda mais forte, já que a mãe passou a amá-la ainda mais. Mais de 30 anos passaram-se e, hoje, a menina que teve o apoio da mãe, mas enfrentou a resistência do pai encoraja outras pessoas. Nesta sexta-feira (20) ela, juntamente com outras autoridades, promoveu a III Conferência Municipal de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT, um importante passo na luta pela garantia dos direitos.


“Mulher, negra e homossexual. Tenho a sorte de ter uma mãe maravilhosa, que no dia que soube que sou homossexual me deu um abraço muito apertado ao invés de me expulsar de casa, sempre me acolheu e me deu forças, ela me disse que o caminho não seria fácil, mas desde cedo fui muito guerreira”, conta Tina emocionada.  



O evento aconteceu na Associação dos Pais de Amigos dos Excepcionais (Apae). Durante a mesa de abertura o prefeito, Geraldo Luzia de Oliveira Junior, Juninho, lembrou que Cariacica foi a primeira cidade do Estado a criar o Conselho de Diversidade Sexual em 2013 e apontou para o preconceito institucional.


“Ouço muito e acho que este é o papel do político, principalmente do gestor executivo de Cariacica. Temos que saber ouvir e que devemos governar para todos. Infelizmente, apesar disso, existe ainda o preconceito institucional, dentro das instâncias públicas, que precisa mudar. A criação do primeiro Conselho Municipal de Diversidade do Espírito Santo foi apenas um pequeno avanço. Dar mais autonomia à coordenação e possibilidade de caminhar com as políticas públicas LGBT devem ser os passos subsequentes. Para isto, me coloco à disposição para avançarmos com as deliberações que forem realizadas nesta conferência”, concluiu o prefeito.    


A manhã foi marcada pelas palestras “Diadorins...Sim!” e “Judicialização da Diversidade”. À tarde, os trabalhos foram desenvolvidos sob três eixos temáticos: Direitos Sociais e acesso à Cidadania, Políticas Públicas de Prevenção e Combate à Violência lgbtfóbica e Política Nacional.


Ao todo, foram nove sub-eixos que abordaram temas ligados à educação; cultura; assistência social; emprego, trabalho e renda; saúde; sistema de justiça e segurança pública; Pacto Federativo, Organização e Estrutura e Participação Social e Controle Social.  


Conferência estadual


A partir das discussões foram separadas cinco propostas em cada eixo, elas serão levadas à conferência estadual prevista para os dias 08, 09 e 10 de novembro. Ainda no evento foram eleitos 20 delegados, sendo seis do poder público e 14 da sociedade civil e seus respectivos suplentes. Os eleitos terão como missão discutir, na conferência estadual, as novas políticas para a criação do Plano Estadual contra a LGBTfobia.



“E desse plano estadual criaremos o nosso Plano Municipal contra a LGBTfobia. é  uma demanda antiga, pois temos muitas demandas nas áreas de segurança, educação, cultura e lazer. Hoje o Brasil é o país que mais mata LGBT  no mundo e no nosso Estado também é um lugar em que se mata muito essa população”, afirma Tina. Segundo ela, hoje o clamor da população LGBT é por segurança.


No Brasil 8.027 pessoas LGBTs foram assassinadas, entre 1963 e 2018, em razão de orientação sexual ou identidade de gênero, são em média uma morte por homofobia a cada 16 horas. Os dados são Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos.


Acesso à educação, da mesma forma, é uma reivindicação público. “Uma das nossas principais bandeiras de luta é o acesso e a permanência das pessoas trans e LGBTs nas salas de aulas, muitas vezes há evasão por causa do preconceito e essa população”, afirma a coordenadora.


Dados da Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil, referentes aos últimos três anos, apontam que 73% dos alunos LGBTS foram agredidos verbalmente e 36% foram agredidos fisicamente dentro das escolas.


“Sou da época que o termo usado ainda era o GLS, e nós imaginávamos que 20 anos depois seria melhor, mas foi o contrário, parece que as pessoas colocaram para fora o que estava escondido, sentimentos de repulsa, preconceito e intolerância. A importância da conferência é tirarmos propostas para ajudar a municipalidade a ter um caminho de políticas públicas para a população LGBT”.