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Seminário fortalece a necessidade de comunidades de matrizes africanas em serem protagonistas na elaboração de políticas públicas

Representantes das comunidades afro de Cariacica lotaram o seminário. FOTO: Semco/Lucas Calazans

Representantes das comunidades afro de Cariacica lotaram o seminário. FOTO: Semco/Lucas Calazans

O 1º Seminário Municipal de Povos e Comunidades de Matrizes Africanas foi realizado neste sábado (29), no Palácio Municipal. Além do público alvo principal, gestores públicos e representantes da sociedade civil participaram do encontro. Ele foi promovido pela Gerência de Política de Promoção e Igualdade Racial (Geppir), vinculada à Secretaria Municipal de Cidadania e Trabalho (Semcit). O objetivo foi fortalecer as políticas públicas direcionadas à cultura afro-brasileira. Na ocasião, o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia Júnior, observou a importância da iniciativa: “Uma cidade só evolui quando ela reconhece as suas raízes”, exaltou.

 

 

 

 

silvany

Convidada do evento, a secretária nacional de Políticas para Comunidades Tradicionais, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Silvany Euclenio Silva, ressaltou a importância da união entre poder público e sociedade civil na discussão de um projeto que contemple uma população tradicionalmente esquecida pelos governos. “Acredito que qualquer política pública têm que ser feita ouvindo o sujeito da política e me parece que em Cariacica está caminhando assim. Para construir essa política, seus sujeitos foram chamados para serem ouvidos”, elogiou.

 

osvaldo

O professor de Antropologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Osvaldo de Oliveira Martins, também contribuiu para enriquecer o encontro. Ele e Silvany tiraram diversas dúvidas levantadas pelos participantes. Entre elas, a concessão de aposentadoria para líderes religiosos e outros direitos. Aspectos ligados à educação também entraram na pauta. Durante a atividade foi debatida, por exemplo, a questão do ensino de história afro-brasileira nas escolas públicas. Constatou-se que muito desse conhecimento e das tradições desses povos foi transmitido apenas oralmente. Atualmente, essas informações se perdem com a morte das pessoas mais velhas. Os participantes do seminário discutiram qual a melhor forma de capacitar professores já que muito pouco está registrado em livros.

 

A partir do encontro foi formulada uma pauta reivindicatória relacionada às práticas pedagógicas. Também foi lançado o Fórum Político das Comunidades de Matrizes Africanas. Martins destacou a importância da iniciativa. “Um grande passo foi dado. Agora está formado o comitê responsável para cobrar da gestões públicas federal, estadual e municipal as políticas públicas para as comunidades de matrizes africanas”, comemorou.

Cenário

Cariacica não possui um cadastro único (CadÚnico) do povos de matrizes africanas, o que impossibilita o conhecimento da realidade desta população. Para modificar este cenário, a Gerência de Política de Promoção e Igualdade Racial (Geppir) tem organizado e coordenado encontros com as comunidades nas 13 regiões da cidade a fim de identificar a localização deste segmento, e, consequentemente, contribuir com as atividades de políticas de promoção de igualdade racial. Atualmente, a Geppir está elaborando o projeto de mapeamento e cadastramento dessas comunidades tradicionais.

Informações à Imprensa:

Texto:Verônica Aguiar

Jornalista responsável:Marcelo Pereira

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